Em Defesa da Fé
‘Meus Sábados’ & ‘vossos sábados’

 Publicado em:  23/4/2008 


‘Meus Sábados’ & ‘vossos sábados’

O grande escritor Arnaldo Christianini, já falecido, esclareceu essas distinções com maestria:

“É irrecusável que a Bíblia chama de ‘sábados’ estes dias festivais, que nada tinham a ver com o descanso semanal, ou o sábado do decálogo. Estes sábados cerimoniais estavam no livro de Moisés, e não nas tábuas dos Dez Mandamentos, que só mencionam o sábado do sétimo dia, comemorativo da criação: “Porque em seis dias fez o Senhor os céus, a Terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou” (Êxodo 20:11).

“Os sábados festivais foram instituídos no Sinai, após a entrega da Lei de Deus, ao passo que o sábado semanal o foi na criaçào (Gên. 2:2, 3) e incorporado na lei moral, precedido de um imperativo ‘Lembra-te’. Não pode haver confusão.

“Além disso, a própria Bíblia estabelece uma linha divisória entre eles, no verso 38, de modo a não deixar dúvidas: ‘ESTAS SÃO AS FESTAS DO SENHOR INDEPENDENTEMENTE DOS SÁBADOS DO SENHOR’ [veja: Levítico 23:37-38].

“E também independentemente de ofertas, sacrifícios e outras exigências. Eram festas especialíssimas e soleníssimas. Bem distintas. Convenhamos que os sábados do Senhor, os do sétimo dia, já existiam quando foram instituídos os sábados festivais” (Exceptio sabbatis domino... diz a versão de Jerônimo”).

Sobre o texto de Colossenses 2:16 e 17: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir, porém o corpo é de Cristo”, Christianini, como sempre, bate colocado e leva à nocaute os falsos intérpretes do texto bíblico:

a) Este ‘sábados’aí estão associados a dias de festa e Lua nova, que eram solenes festividades nacionais JUDAICAS, ou feriados FIXOS. Ora, o sábado do decálogo não tem esta natureza. Não era festivo e nem típico.

b) Estes sábados estão incluídos entre instituições que eram ‘sombras das coisas futuras’ – prefigurações de FATOS QUE ESTAVAM PARA VIR. O sábado do decálogo [Lei Moral, Dez Mandamentos, etc.] é comemorativo DE UM FATO PASSADO: A CRIAÇÃO. Não era sombra de coisas futuras. Sem dúvida, o texto se refere aos sábados cerimoniais” (Op. Cit., p. 112).

Os comentários acima são respaldados pelas opiniões de eruditos tais como Jamieson, Fausset and Brown; Adam Clarke e Albert Barnes, entre outros, todos da comunidade evangélica.

Fonte: - Consultoria Doutrinária, págs. 139-140.



Nota IASD Em Foco:

Esse texto de Paulo, como reconhece o próprio apóstolo Pedro, faz parte daquelas “... coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles” (II Pedro 3:16, ver, também, o verso 15).

No entanto, os verdadeiros indagadores da Verdade percebem claramente as diferenças marcantes entre uma coisa e outra; por exemplo:

a) ‘Vossos sábados’: “Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para Mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os SÁBADOS, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene. AS VOSSAS FESTAS da Lua Nova e as VOSSAS SOLENIDADES, a Minha alma as aborrece; já Me são pesadas; estou cansado de as sofrer” (Isaías 1:13-14).

b) ‘Meus Sábados’: “Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no MEU SANTO DIA; se chamares ao sábado deleitoso e SANTO DIA DO SENHOR, DIGNO DE HONRA, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então te deleitarás no Senhor. Eu te farei cavalgar os altos da Terra e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do Senhor o disse” (Isaías 58:13-14).

É lógico que quando Deus fala no texto acima (Isaías 1:13-14) “Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para Mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os SÁBADOS, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene”, isso pode envolver o Sábado do quarto Mandamento, da Lei Moral, como qualquer outro dia; já que, nesse texto e contexto, está explícita a condenação ao culto hipócrita:

“Pelo que, quando estendeis a mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos Meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça; repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas” (Isaías 1:15-17).
Os judeus foram censurados severamente pelo próprio Jesus – em diversas ocasiões – por terem perdido de vista a beleza do sentido social, humanitário, da comunhão com Deus e com o próximo das quais o sábado do quarto Mandamento (chamado por Deus: “Meu santo dia”) está revestido.

Ao perderem de vista toda essa beleza, nuances e significados (como perderam, também de vista o significado do ato de dizimar), o Sábado tornara-se para eles uma mera regra bíblica, um insosso e rotineiro preceito semanal.

No entanto, o problema não estava e nunca esteve no sábado e nem no dízimo, mas, sim, na maneira como os judeus encaravam esses deveres para com Deus e com o próximo.

Suas maneiras erradas de cumprirem esses preceitos divinos não os invalidavam (tornando os preceitos errados ou desnecessários); ao contrário, apenas invalidavam as suas profissões de religiosidade e as suas demonstrações de piedade religiosa.

Não é à toa que o Senhor Jesus os repreendeu nas seguintes palavras: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, PORQUE DAIS O DÍZIMO DA HORTELÃ, DO ENDRO E DO COMINHO, e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e fé; DEVÍEIS, PORÉM, FAZER ESTAS COISAS, SEM OMITIR AQUELAS” (Mateus 23:23).

“... Devíeis, porém, fazer estas coisas [prática da justiça e da misericórdia], sem omitir aquelas” [devolução do dízimo: Até mesmo ‘a hortelã, do endro e do cominho’] (Bíblia Vida Nova).

“... Importava praticar estas coisas, mas sem omitir aquelas” (A Bíblia de Jerusalém, Edições Paulinas).

“... Vocês deveriam praticar isso, sem deixar aquilo” (Bíblia Sagrada, Edição Pastoral).

“... Vocês deviam fazer estas coisas, sem desprezar aquelas” (A Bíblia Na Linguagem de Hoje).

Rsrs É muito engraçado que, embora esta seja a ÚNICA VEZ em que a palavra ‘dízimo’ aparece em o Novo Testamento, nós não precisamos fazer nenhum esforço para convencer aos pastores evangélicos e padres sobre a continuação da validade desta ordenança bíblica, mesmo após a morte de Cristo.

No entanto, o sábado que aparece DEZENAS DE VEZES em o Novo Testamento – inclusive sendo observado pela virgem Maria e pelas outras santas mulheres que seguiam a Jesus, mesmo após a Sua morte (Lucas 23:54-56) – eles fazem todos os tipos possíveis e imagináveis de “malabarismos” tentando descredenciá-lo.

É... o “bolso” tem razões que a própria razão desconhece!
 

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