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Publicado em: 7/11/2008
A Crise Global e Apocalipse 13:16-17
Numa palestra para
investidores americanos, o presidente do Banco Central brasileiro, Henrique
Meirelles, afirmou que é preciso parar com as “piadas” a respeito da crise
global: “É uma situação muito, muito séria”. [1]
Sim, o economista brasileiro
– vencedor do prêmio Bravo, da revista de economia Latin Trade, na categoria
‘financista do ano’ – está certo. Aquilo que surgiu como uma bolha imobiliária,
uma onda de calotes no mercado imobiliário dos Estados Unidos, logo se
transformou em uma crise nos mercados de ações, de crédito e de câmbio do
planeta – e os efeitos já começam a chegar ao comércio, aos empregos e ao
cotidiano de todos.
A crise ocupa o espaço
principal e mais generoso em toda a mídia. Está estampada nas capas das
principais revistas. É destaque nas manchetes dos jornais – o principal jornal
do país, Folha de S. Paulo, já até criou uma espécie de “selo” que a dimensiona
em seu caderno “dinheiro”: “Crise Global” – e já está incorporada às conversas e
preocupações das pessoas em geral.
“O Brasil é parte do mundo.
Tivemos o bônus, agora vamos pagar o ônus por estar no mundo”, afirma o
ex-ministro da Fazenda Antonio Delfim Netto. A grande questão nesta tisunami
gerada a partir desta que é a maior crise global desde 1929, arrasando economias
de vários países, quebrando alguns dos maiores bancos e instituições dos Estados
Unidos e do mundo e pondo em polvorosa os mercados financeiras, é onde ela vai
desaguar.
Nesse quesito, embora os
economistas e líderes mundiais divirjam um pouco tanto sobre o alcance da crise
quanto sobre as medidas a serem adotadas, são unânimes ao afirmar que nada será
como antes. As palavras ou expressões correntes são: “nova arquitetura
financeira”, “nova (mais forte) regulação dos mercados”, “redesenhar a estrutura
internacional da economia”, “novos mecanismos mundiais de controle ou regulação
dos mercados financeiros”.
O que dizem os gurus da
Economia
O problema é antigo e desde a
quebra da Bolsa de Nova York, 1929, as crises se sucedem. “Há mais de 20 anos
uma onda de crises financeiras acompanha a globalização”, afirma Robert Kurz.
“Todas as medidas aparentemente bem-sucedidas para evitar uma ‘fusão nuclear’
do sistema financeiro internacional só lograram reformular o problema, em
vez de solucioná-lo”. [2]
“Chegamos a um ponto
crítico”, escreveu John Maynard Keynes em março de 1933. “Podemos divisar
claramente o abismo ao qual nosso caminho atual nos conduz. Sem a ação dos
governos, devemos esperar a progressiva dissolução da estrutura existente de
contratos e instrumentos de dívida, acompanhada pelo completo descrédito da
liderança ortodoxa nas finanças e no governo, cujo desfecho final não podemos
prever”. [3]
Com a maior crise planetária
desde 1929, as idéias de Keynes do máximo intervencionismo do Estado voltaram à
moda – com toda força. “Não há mercado sem o Estado. O mercado resolveu os seus
problemas – dentro das leis e regras do Estado. Só no Brasil encontrei liberais
tão radicais”, sentencia o economista francês Guy Sorman.
O historiador inglês Paul
Kennedy, autor de “Ascensão e Queda das Grandes Potências” (Editora Campus)
assinala a nova distribuição mundial do poder: “ ... o equilíbrio mundial está
realmente mudando. Não em termos militares, porque os EUA respondem por metade
do orçamento bélico mundial. A transformação fica evidente na composição das
reservas internacionais estratégicas dos países”. [4]
Quando o jornalista pergunta
se “É possível tirar alguma lição dessa crise”, Kennedy faz aquilo que nove em
cada dez autoridades da área fazem – recomenda novos mecanismos mundiais de
controle ou regulação financeira:
“O efeito dominó, de país a
país e de banco a banco, fez os líderes perceberem que eles precisam trabalhar
mais juntos. O Banco da Inglaterra e o Banco da Suíça entenderam que devem atuar
conjuntamente com o Fed e o Banco do Japão e do Canadá, e assim por diante. O
Banco Mundial e o FMI são instituições ótimas, mas até então, por causa da
liberalização do fluxo de capitais, não havia nada relevante em matéria de
concertação sobre sistemas bancários. Acho que poderá surgir uma espécie
de cartel de bancos centrais das 12 maiores economias, comprometidas em
atuar juntas para evitar que seus maiores bancos não quebrem. Esse grupo se
reuniria com freqüência, possivelmente substituindo o G7 e o G8”. [5]
Muitos têm escrito e falado
sobre a crise, dando suas receitas e apresentando o seu pacote de medidas para
debelá-la; no entanto, ninguém foi tão direto ao ponto e didático como Jeffrey
Garten, professor de Comércio Internacional e Finanças na Escola de
Administração de Empresas da Universidade Yale. Num artigo de página inteira do
caderno “Crise Global”, do principal jornal do país, Jeffrey chama a atenção com
o título da sua matéria: “Mundo precisa de autoridade monetária”. [6]
Sem prejuízo para o leitor,
reproduzo abaixo os principais trechos do referido artigo:
“Mesmo que a imensa operação
de resgate financeiro dos Estados Unidos obtenha sucesso, ela deveria ser
seguida por algo de muito mais abrangente – o estabelecimento de uma autoridade
monetária mundial para fiscalizar mercados que não respeitam mais fronteiras.
[...] Os bancos centrais também vêm sincronizando suas injeções de fundos nos
mercados. Essas medidas devem ser passos em direção de uma resposta
internacional mais abrangente concebida não apenas para apagar o atual incêndio,
mas para reconstruir e manter os mercados de capitais em longo prazo”.
“O vácuo que existe no centro
do sistema é perigoso para todos. [...] Por muitos anos, Wall Street e
Washington não serão capazes de se manter sem forte cooperação de outros
mercados. Além disso, as dimensões internacionais do mundo financeiro se
tornaram estonteantes. Os ativos mundiais cresceram de US$ 12 trilhões em 1980
para US$ 200 trilhões em 2007, superando de longe o crescimento do PIB (Produto
Interno Bruto) em qualquer nação ou o ritmo de expansão do comércio. Montante
crescente desse capital hoje reside na Ásia e no Golfo Pérsico, e não mais nos
Estados Unidos e na Europa”.
Pegando emprestada uma
expressão usada pelo escritor Max Lucado, diria que Jeffrey “vai direto na
jugular”, sem tergiversações ou indiretas: “Todas essas considerações apontam
para a necessidade futura de uma nova autoridade monetária mundial (AMM).
Ela ditaria o tom para os mercados de capital de uma maneira que não seria
visceralmente oposta a uma forte função de fiscalização pública, com regras de
intervenção, e devolveria à formação de capital a condição de objetivo do
crescimento econômico e do desenvolvimento, com o abandono da idéia de que é
suficiente operar por operar”.
“O conselho da AMM seria
formado por dirigentes de bancos centrais não apenas dos Estados Unidos, do
Reino Unido, da zona do Euro e do Japão, mas também da China, da Arábia Saudita
e do Brasil. A instituição será financiada por contribuições compulsórias de
todos os países capazes de pagar e por prêmios à maneira de seguros pagos pelas
empresas financeiras do planeta – as de capital aberto, as estatais e as de
capital fechado igualmente. Em termos de política norte-americana e
internacional, a autoridade monetária mundial provavelmente representa uma idéia
cujo momento ainda não chegou. Mas isso pode mudar, à medida que
evolui a crise atual”.
A Nova Bretton Woods
O momento propício, de que
fala o renomado professor da Universidade Yale, já chegou. Recentemente, quando
a França apresentou proposta semelhante abrangendo a União Européia, o ministro
das Finanças sueco, Andrés Berg, foi taxativo: “O mais importante agora é criar
um bom corpo de bombeiros. Depois talvez possamos discutir normas de segurança”.
[7]
Com a ação acanhada do FMI e
do próprio Banco Mundial, em meio ao turbilhão da crise global, além de
“ressuscitar” Keynes os economistas também trouxeram de volta um nome pouco
conhecido “Bretton Woods”. O professor emérito da Fundação Getúlio Vargas e
ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), Luiz Carlos Bresser Pereira foi um
desses; num artigo intitulado “Nova Bretton Woods”, Bresser afirma:
“Nos próximos dias, os
líderes políticos e econômicos dos grandes países reunir-se-ão para discutir uma
Bretton Woods, ou seja, uma nova arquitetura e um sistema de regulação mais
rigoroso para o sistema financeiro mundial”. [8]
Embora esteja claro o que
Bresser e outros economistas querem dizer quando afirmam que o mundo precisa de
uma “Nova Bretton Woods”, para o leitor poder assimilar em profundidade o que
isso significa, lembramos que o termo é uma referência ao encontro histórico
que, em 1944, redesenhou o sistema financeiro mundial.
Na reta final da Segunda
Guerra Mundial, com a Europa destruída, 44 países se reuniram na cidade
americana de Bretton Woods, sob a batuta dos EUA, criando instituições tais como
o FMI e o Banco Mundial.
Para o economista Luís
Gonzaga Belluzo, da Unicamp, a conjuntura mundial exige uma “supervisão
financeira global”. “Talvez um novo organismo”, diz, “para evitar bolhas como a
do subprime”. Quando indagado se seria o tal organismo um super Banco Central
Internacional, Belluzo responde: “Essa era a proposta do [economista inglês
John] Keynes [em 1944]. Ele defendia uma espécie de moeda internacional, com
gestão multilateral, para servir como referência às reservas nacionais”. [9]
A proposta de Keynes não
vingou e o dólar se estabeleceu definitivamente como a moeda internacional. Foi
o chamado “padrão ouro”, que estabelecia um lastro do metal para cada dólar
americano. Os demais países tinham então suas reservas referenciadas em dólar e
poderiam trocar no Federal Reserve seus dólares por ouro. Em 1971, no governo
Richard Nixon, os EUA abandonaram unilateralmente o sistema. Nascia o câmbio
flutuante e começava a grande farra que veio desembocar na maior crise
financeira de todos os tempos.
Remédio amargo
Os Estados Unidos precisam
regular, e rápido, o seu sistema financeiro sob pena de não conseguirem
controlar a atual crise e perderem sua hegemonia no setor, advertiu a economista
Maria da Conceição Tavares em entrevista à Agência Reuters. “Ou os EUA resolvem
quais são as regras agora, enquanto são donos do cassino, ou daqui a pouco não
adianta nada porque não serão mais os donos. É mais fácil fazer acordo quando
eu, que sou a banca, faço as regras e convido os demais a seguirem ou se
adaptarem”, completa a professora da UFRJ e da Unicamp e uma das principais
vozes da economia brasileira desde a década de 1970.
Como vimos no início deste
artigo, a crise é “muito séria”; não existe esse negócio de “marolinha”, como
haviam rotulado o Presidente Lula e a sua “favorita” ministra Dilma Rousseff.
“Nunca chegamos tão perto de um colapso completo do sistema, desde os anos 30”,
afirma o megainvestidor George Soros.
Para situações drásticas,
atitudes drásticas. É isso que espera o novo presidente americano, Barack Obama.
Não é à toa que a jornalista Kathleen Parker, colunista do “Washington Post” e
comentarista da NBC, escreveu um artigo publicado nesta quarta-feira com o
título “Parabéns e pêsames”. “Os dois maiores desafios do novo presidente são a
economia e a política externa, dois pedaços do mesmo rolo de tecido. Quem for
presidente [ela escreveu antes de saber o resultado] terá que aceitar uma
velha máxima conservadora segundo a qual é preciso fazer o que é necessário,
mesmo que doa”. [10]
O apocalipse, como já foi
tratado aqui em outros artigos, nos mostra que no final da história, pouco antes
da volta de Jesus, haverá uma conjugação dos poderes terrestres contra o fiel
povo de Deus (Apocalipse 12:17 e 14:12). Neste conluio, estarão unidos a Igreja
e o Estado e será promulgado um decreto religioso com aplicação no campo
econômico:
"A todos, os pequenos e os
grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada
certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte; para que ninguém possa
comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta
ou o número do seu nome" (Apocalipse 13:16-17).
Faz alguns anos, um
jornalista da revista Veja, numa entrevista publicada nas páginas amarelas da
revista, fez a seguinte pergunta para a senhora Alice Rivlin, citada na época
como a mais poderosa economista americana:
"Veja – O banco central
americano, o Fed, já mexe com a economia de todo o mundo, quando toma suas
decisões. Vai existir algum dia um banco central mundial?
Rivlin – Os bancos
centrais hoje se relacionam de modo muito intenso e, eventualmente,
vai existir um mecanismo mundial de controle de moeda". [11]
Sim. Há muito tempo inúmeras
forças – principalmente nos campos político e religioso – vêm trabalhando em
prol desta união. O mundo está maduro e com o palco preparado para os eventos
finais da História. Todos os atores e protagonistas mundiais estão assumindo os
seus papéis e, de forma consciente ou não, seguindo o “script” das profecias.
Olhando para o quadro que se
forma no cenário mundial, pergunto: Como negar que estamos, de fato, vivendo os
dias finais da História? Como duvidar que o Senhor Jesus está voltando?
- Elizeu C. Lira, Editor
do site.
Referências:
1. Folha de S. Paulo, 25 de
outubro de 2008.
2. Idem, 28 de setembro de
2008.
3. Idem, 19 de outubro de
2008.
4. Idem, 25 de outubro de
2008.
5. Ibidem.
6. Idem, 26 de setembro de
2008.
7. Idem, 5 de novembro de
2008.
8. Idem, 3 de novembro de
2008.
9. Idem, 23 de outubro de
2008.
10. Idem, 5 de novembro de
2008.
11. Veja, 26 de agosto de
1998.
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